terça-feira, 11 de maio de 2010

O Preço e as Recompensas da Integridade

O Preço e as Recompensas da Integridade
Como conservar a paz de espírito e a fé genuína.

George R. Foster Não faz muito tempo, eu e Dolly, minha esposa, fomos fazer compras num supermercado. Passava das 11:00h da noite, e encontramos o estacionamento praticamente vazio. Contudo resolvemos deixar o carro numa vaga ao lado de uma van. Meia hora depois, quando voltamos com as compras, notei que havia um arranhão feio na lateral do nosso carro.
Pensamos que talvez o culpado tivesse deixado um bilhete com seu nome e endereço, mas não foi esse o caso. Demos uma olhada pelos arredores, procurando alguém que pudesse ter testemunhado o fato, mas não encontramos ninguém.
É bem provável que isso aconteça com muita freqüência. O acidente me fez recordar um caso que eu lera, parecido com esse, que ocorrera num estacionamento de um shopping. Um motorista, ao arrancar seu carro, arranhou um veículo próximo. Ao perceber que diversas pessoas presenciaram o acidente, ele, muito sério, se aproximou delas e pediu um pedaço de papel e uma caneta para deixar um bilhete para o dono do veículo.
Todos ficaram muito bem impressionados com o senso de responsabilidade daquele motorista que, cuidadosamente, escreveu seu recado, dobrou-o e colocou-o embaixo do limpador de pára-brisas. Nele dizia o seguinte: “Acabo de dar uma arranhada em seu carro, perante várias testemunhas. Elas acham que estou deixando meu nome, endereço e telefone aqui. Mas não estou, não. Passar bem!” A verdade é que todos nós sabemos o que devemos fazer em situações como essa. Entretanto, será que o fazemos? Obviamente, quem quer ser honesto enfrenta uma luta. Há um preço a pagar. No entanto quem paga o preço da honestidade goza de tranqüilidade e de satisfação. Além disso, fica livre das possíveis conseqüências de um ato desonesto. E o melhor de tudo é que goza de paz com Deus.
Há pessoas que pensam que esses pequenos detalhes não são importantes. Contudo eu creio que quem estiver preocupado em resolver incidentes pequenos como esse não vai correr o risco de cair em problemas maiores. Jesus disse: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito” (Lc 16.10).


O ensino bíblico sobre a consciência
O que é a consciência? O conceito mais comum é o de um juiz interior que aprova ou desaprova nossos atos, pensamentos e atitudes, ou seja, aquilo que nos confere o senso do que está certo ou errado em nossa conduta ou motivação. Na tradição judaico-cristã, a consciência é nosso instrumento de aferição interior, pelo qual verificamos se estamos agradando a Deus ou não. Ou seja, avaliamos se estamos vivendo ou não de acordo com os padrões propostos por ele. É um termo que aparece com muita freqüência no Novo Testa-mento, embora seja raramente mencionado no Antigo.


Quando o apóstolo Paulo compareceu perante o tribunal judaico, acusado de estar corrompendo a religião nacional, defendeu-se dizendo o seguinte: “Varões, irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje” (At 23.1).
Mais tarde, o processo dele foi levado perante Félix, o governador romano. A este ele disse: “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24.16).
Entretanto o apóstolo não afirmou que a voz da consciência fosse o mesmo que a do Espírito Santo, muito embora o Espírito costume falar através da consciência. Escrevendo aos coríntios, confessou o seguinte: “Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor” ( 1 Co 4.4).


Além disso, Paulo também recomenda aos crentes que não sirvam de tropeço para aqueles que têm uma consciência muito sensível. Afirma ele: “E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais” (1 Co 8.12). Ele dá a entender que a consciência não é a instância final, já que nem todos nós pensamos da mesma maneira. “Pois por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia?” (1 Co 10.29). Ainda assim, é muito importante que tenhamos bastante cuidado com nossa consciência, que se forma a partir dos ensinamentos morais e éticos que recebemos ao longo da vida. Desse modo, precisamos obedecer ao que ela ordena, não praticando a falsidade, evitando assim que ela fique cauterizada (1 Tm 4.2).

Uma arma para a batalha espiritual
Ao escrever a seu jovem discípulo, Timóteo, Paulo insiste que ele esteja bem equipado para a batalha espiritual: ”Combate... o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1 Tm 1.18,19). Eu aprendi a dar grande valor a essas palavras quando cursava a universidade. Certa ocasião, fui a um retiro espiritual, e vi muitos colegas, estudantes, pedindo perdão uns aos outros por atitudes erradas e palavras ofensivas. Compreendi, então, que só podemos ter paz de espírito e tranqüilidade no coração se mantivermos uma “ficha” limpa com Deus e com o nosso próximo.


Como estava crescendo espiritualmente, fiz uma lista de várias pessoas a quem eu ofendera ou prejudicara durante a adolescência. Depois pedi perdão a cada uma delas e, desse modo, acertei minhas pendências com todas elas. Embora houvesse cometido muitos erros, alguns mais graves do que outros, havia um, no entanto, que me incomodava mais do que todos. Eu agira de forma desonesta com um vizinho chamado Lloyd.


Esse amigo se convertera mais ou menos na mesma época que eu. Quando ficou sabendo que eu estava me preparando para o serviço cristão, decidiu ajudar-me. Enviou-me alguns livros e pequenas ofertas em dinheiro. O mais importante, porém, era que sempre que eu ia passar as férias em casa, ele me emprestava seu carro.
Como eu já tivera dois carros antes, Lloyd simplesmente supôs que eu possuía carteira de habilitação. Contudo, para minha vergonha, devo confessar que não a tinha. É verdade que já deveria ter tirado a carteira. Ademais, deveria ter dito a ele que não a tinha, mas não disse. Felizmente para mim, não houve nenhum acidente ou qualquer outro problema, apesar de ter usado o carro dele diversas vezes.

Entretanto, quando comecei a buscar a Deus mais profundamente e a desejar uma comunhão mais íntima com ele, muitas vezes me recordava de como havia enganado Lloyd. Nessa época, pensei muitas vezes que deveria procurá-lo e confessar-lhe que dirigira seu carro de forma ilegal, mas racionalizava, dizendo a mim mesmo que, como nada acontecera, não precisaria fazê-lo. Ademais, caso fizesse essa confissão, isso poderia destruir nossa amizade.

Por fim, a situação ficou tão difícil que resolvi “negociar” a questão com Deus. E disse:
“Senhor, acho que não preciso contar nada a ele. Contudo, se o Senhor quer que eu conte, faça com que me encontre com ele de uma forma casual, pois assim entenderei que o Senhor quer mesmo que eu faça isso (como se eu ainda não o soubesse).”
Logo em seguida, um famoso evangelista veio à nossa cidade e resolvi ir assistir ao culto dirigido por ele. Segui para a frente do salão, procurando um lugar para me sentar, mas parecia que estavam todos ocupados. Por fim, cheguei à fileira da frente, onde vi uma única cadeira vazia – bem ao lado de Lloyd.
Ele me avistou e acenou para mim, convidando-me para me sentar ao seu lado. Experimentei uma forte sensação de gozo e ao mesmo tempo de temor. Compreendi que Deus me levara aonde ele queria que eu estivesse, e entendi que não poderia hesitar. Sentei-me ali e abri o coração para ele e, assim, fiquei com a consciência limpa. Depois disso, recuperei o alívio na oração, algo que perdera havia algum tempo. Além disso, passei a ter mais interesse em ser honesto em todos os meus relacionamentos com os outros. Essa lição tem sido, ao longo do anos, muito valiosa para mim.

A bênção da reconciliação
Temos presenciado com freqüência o rompimento de relacionamentos. Muitas vezes isso se dá porque as pessoas se recusam a se humilhar, pedir perdão e reatar os laços de amizade no corpo de Cristo. Um amigo me contou que certa vez houve um avivamento num país da África. Tudo começou quando um líder cristão compreendeu que o que estava atrapalhando a obra de Deus ali era um conflito que tinha com outro líder. Assim sendo, por ter a convicção de estar em pecado, entendeu que precisava pedir perdão ao colega. Como era noite, pegou uma tocha, acendeu-a e saiu em direção à aldeia onde o outro morava. Quando chegou à metade do caminho, avistou outra tocha que vinha em sentido contrário. O outro homem estava vindo falar com ele. Os dois se encontraram e se abraçaram, dando início a um mover do Espírito Santo naquele lugar, que durou trinta anos.
Obviamente, nenhum de nós pode garantir como a outra pessoa reagirá às nossas tentativas de acertar as diferenças. Nossa esperança é de que haverá uma reconciliação. Contudo, mesmo que o outro reaja de forma negativa, se fizermos a nossa parte, recuperaremos a paz da consciência. E isso é algo de que precisamos mais do que qualquer outra bênção.

Este artigo foi adaptado do livrete Como Manter a Consciência Limpa, recém-publicado pela Editora Betânia. O autor trabalhou 25 anos no Brasil com a Missão Evangélica Betânia. Atualmente é pastor internacional dos missionários de Bethany Fellowship Missions.

O Pr. George Foster é membro da Missão Evangélica Betânia e conferencista. E-mail: george.foster@bethfel.org

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